O saber científico e o saber popular.

Quando um especialista em geoprocessamento levanta dados sobre determinada região, o resultado costuma exigir conhecimentos técnicos e teóricos para ser compreendido.

O trabalho do Instituto Lidas é facilitar o entendimento desses conceitos, realizando cursos e oficinas de geoprocessamento para jovens e alimentando a Base Comum de Conhecimento do Cidadão – um conjunto de informações que servem de embasamento para a transformação social de uma dada região. Somente unindo o saber científico (coleta e análise de dados ancorada em rigorosas técnicas e metodologias de geoprocessamento) ao saber popular (conhecimento de determinada região baseado nas vivências do dia-a-dia), podemos ter avanços, já que a análise técnica do território deve fazer sentido para o cidadão em seu cotidiano, ajudando-o a identificar suas necessidades.

Para ficar mais claro, temos um exemplo bem simples de utilização de informações territoriais no cotidiano: imagine que uma grande rede de supermercados queira abrir uma filial numa determinada área da cidade. Se a população local (ou parte dela) tem algum tipo de organização e acesso às informações da região – por exemplo, quantas pessoas moram ali, quantos pequenos comércios existem, quantas escolas, quantas crianças, quantas pessoas empregadas/desempregadas, como é a situação do meio ambiente, como é a infra-estrutura de iluminação, asfalto, etc. – com tudo isso em mãos, a população tem como avaliar tecnicamente os impactos que um supermercado (ou qualquer outra alteração) pode causar na região, elevando a qualidade do debate político.

O mesmo raciocínio serve para avaliar a eficiência (ou ineficiência) de políticas públicas.

Assim, o cidadão sabe quais são as reais necessidades de sua região tanto por vivenciá-las no dia-a-dia quanto por comprová-las numa base científica de dados e, ao invés de sujeito passivo que apenas sofre as conseqüências das transformações urbanas, pode tornar-se ativo e propor as mudanças que lhe interessam.

Portanto, o foco da Base Comum de Conhecimento do Cidadão é disponibilizar ao cidadão, de uma forma universal e gratuita, um conjunto de informações vinculadas ao seu território de vivência que lhe proporcione bases científicas para tomar suas decisões.

A estrutura do sistema de informações tem como ponto de partida:

_uma divisão territorial de base censitária reconhecida pelos cidadãos no cotidiano de suas relações;
_um conjunto de informações existentes e disponíveis estruturadas com metodologia reconhecida pelos poderes públicos e pela comunidade;
_um padrão e um campo relacional que seja necessariamente o território de vivencia do cidadão;
_uma tecnologia amigável desenvolvida em softwares livres capaz de suportar as bases de dados;
_uma pedagogia de utilização destas informações;
_agentes de difusão.